27.7.10

a volta dos que não foram.

Julho chegou e agosto se aproxima, e depois de uns meses afastada do Parabólica, voltei. As explicações para as minhas férias forçadas são a mesma chatice que por esses meses repeti: TCC. Quando se precisa chegar em casa e escrever obrigatoriamente sobre o mesmo assunto durante 4 meses, de alguma forma a mente foge dos bons e criativos pensamentos e os dedos se negam a passar a madrugada escrevendo, mesmo que sob aleatoriedade. 
Aos que não sabem minha monografia explorou o marketing na Igreja Universal do Reino de Deus. Temática que muito me acrescentou e a outros tantos surpreendeu, como diria minha mãe "Bruna, eu e tua irmã nos perguntavamos, por que cargas d'água tu escolheste justamente esse tema?". E como eu respondi durante esses meses a todos que me perguntaram: porquê não há nada mais curioso do que a fé, do que a necessidade do homem de ter no que acreditar e do quanto essa crença move o mundo. Como publicitária, o capitalismo selvagem que move a minha profissão necessita desse entendimento, pois no fundo o que queremos é que os nossos consumidores tenham fé nas marcas e tornem-se fiéis.
As analogias entre a religião e o consumo não param por aí e muitas vezes superam a simples utilização de termos semelhantes, chegando a paracer-se também nas técnicas empregadas.
Em breve, postarei com mais aprofundamento sobre o assunto. Afinal, o TCC é praticamente um filho gerado a fórceps, mas que quando nasce nos enche de orgulho.

Fico feliz de estar de volta e prometo que nunca mais abandonarei por tanto tempo o Parabólica.


13.4.10

Prostituiram a minha profissão. E agora?

O post de hoje nasceu de algo que acabo de ler em um fórum de discussões. Nele, "designers" e leigos discutiam sobre quanto poderia cobrar-se por um logo. A discussão em si já é o princípio do problema, mas uma resposta de um dos envolvidos sugerindo que "20 pila" era suficiente foi o que me chamou a atenção. Para completar, em um outro site vendem-se logos por R$500 parcelados no cartão de crédito e incluindo Manual de Identidade Visual e papelaria.

Foi ai que, de tudo isso um único pensamento invadiu a minha mente (desculpem os palavrões): 
"Transformaram a publicidade/design em uma p#ta pobre!"

Pra mim é muito difícil entender como podemos chegar a esse patamar, ainda mais no momento econômico que vivemos. Pra começo de conversa a nova lógica capitalista, a qual afeta consumidores - os quais exigem produtos que reflitam a sua personalidade; e produtores - os quais necessitam pensar os seus produtos orientados para os seus consumidores, aumenta a responsabilidade daqueles que pensam a construção do valor simbólico de bens e serviços. Afinal, é realidade conhecida que para sobreviver na selva de organizações globais, as quais produzem globalmente e assim concorrem globalmente, é necessário muito mais do que um produto e sim uma marca que fale e valha por si.


Além disso, fazer publicidade ou pensar design não é um trabalho braçal e sim uma organização de pensamentos e conhecimentos das mais diversas esferas: pscicologia, econômia, artes, semiótica e tantas outras que tornam-se necessárias dependendo de cada caso. Requer tempo e dedicação.


O problema não é cobrar 20 ou 500 reais por um logo e sim perceber que o precificam como se fosse um trabalho mecânico, igual para todos os casos. Não é assim. A criação de um logo, pra começo de conversa, é só a ponta de um iceberg, nenhuma empresa existe sem, mas também não passa da mediocricidade só com isso. 
Isso vale na mesma proporção para aquelas empresas que chegam para uma agência e dizem "faz um anuncinho ai" (quando elas dizem isso, por sinal, esperem que elas também vão pagar qualquer coisinha). Ou para aqueles clientes que mandam fazer o site com o sobrinho que fez um cursinho de corel mês passado.


Não vou comparar a comunicação com outras profissões, pois acho ignorância fazer isso em qualquer caso, mas é importante ressaltar que, apesar de não matar ninguém, ela implica responsabilidade e conhecimento como qualquer outra. Nosso trabalho afeta diretamente a vida das pessoas, no que elas consomem, querem ser e são.

Para encerrar, acho importante fazer duas considerações. A primeira é que nós comunicadores somos responsáveis por isso, afinal quando concordamos com isso estamos assinando o atestado de que o nosso trabalho vale pouco. A segunda, empresas queridas (principalmente aqui da região) lembrem-se que a sua marca (a qual não é só o logo, mas tudo que lembram sobre a tua empresa) é aquilo que falará por ti enquanto dormes.

(essa discussão continua uma hora dessas)


4.4.10

uhmmm o amor.

Começo o post de hoje revelando a minha surpresa quanto aos desdobramentos que os meus últimos posts tiveram. Eu que sempre fui acostumada a escrever com o coração e sobre o coração, nunca havia me deparado com a repercussão que algumas críticas racionais podem ter. Felizmente colhi muita coisa positiva e alcancei parcialmente o objetivo que tenho com esse blog: despertar questionamentos nas pessoas. Os mesmos que me rodeiam e alguns diferentes, que cada um produz a partir das suas próprias experiências. Os acessos nos dias desses posts foram muito superiores do normalmente, e provaram o quanto tem gente com reclames engasgados na garganta assim como eu.
Obviamente não agradei a todos e nem é esse o meu objetivo, afinal, a beleza do ser humano está na individualidade das suas opiniões. Aquele clichê serve aqui, "o que seria do vermelho se todos gostassem do azul?", não é mesmo? Fico lisonjeada por aqueles que entendem isso e que não misturam críticas gerais e desprovidas de qualquer maldade, com "cutucadas" pessoais. 
E mais, fico agradecida por aqueles que utilizam de argumentos dotados de inteligência e teoria para discutir e contrapor qualquer assunto e não tentam se impor através de "achismos", "julgamentos" ou "desmoralizações".


Feito esse parecer, vamos escrever com o coração. 
Já faz algum tempo que eu não faço isso, e explico o porquê: tenho duvidado de qualquer afirmação sobre o coração. Experiências pessoais me fizeram acreditar que os sentimentos não são nenhum pouco previsíveis. Mas algumas coisas eu entendi, lá vai.

1 - O amor é algo que nos sugestionamos a sentir. Isso não quer dizer que ele não exista, mas por abstrato e intangível cada um o sente de uma forma.

2- O amor não é algo mensurável. Dizer "eu nunca amei alguém como eu te amo" é algo óbvio e redundante. Afinal, cada amor é singular na sua existência. Não acredito que se ame mais ou menos, apenas se ame pessoas diferentes.

3- O amor não acaba. Ele simplesmente não era um amor para sempre.

4- O amor se confunde. Com a posse, com o ciúmes, com o carinho, com o sexo, com a conveniência, com o comodismo.

5- O amor não é só sorrisos. Desconfie de casais que nunca brigam, que concordam com tudo. Desconfie também daqueles que escondem suas brigas.

6- Cada amor é um amor. E a sua história não deve ser apagada, deletada ou excluída. (de forma prolixa mesmo)

7- Para encontrar um novo amor é preciso querer. Se você ainda ama o ex, desista, ninguém vai ser bom o bastante. Se você não ama mais o ex e quer mesmo ser feliz de novo, vá em frente, sorria, se abra, se sugestione, acredite. Mesmo que no começo não sinta nada. 

8- Os relógios sentimentais nem sempre são bem regulados. Então, tome cuidado.

9- Esqueça todas as anteriores. O teu amor é teu, só teu. E ninguém sabe dizer nada a respeito.


25.3.10

inclusão digital

O post de hoje nasceu de um desabafo meu no twitter ontem e  de posteriores comentários junto com o sr. @angelo_borges. 
Reclamava eu ontem de alguns novos usuários do Twitter, particularmente do sexo feminino. Dizia que não entendia a lógica das meninas que colocam como plano de fundo do seu profile twitesco uma foto sua sécçi, de bíquini, com decote, bundão, peitão e coisas do gênero. Sei que o narcisismo, marca forte da nossa Era, impera entre a maior parte dos indivíduos, mas acho que esse tipo de apelo traz consigo outro perigo. O perigo ao bom uso das ferramentas virtuais. 
Afinal, o que vemos acontecer é todas as ferramentas se confundirem em seus própositos. Sei que regras não se aplicam facilmente ao mundo virtual, e que exatamente é essa possibilidade de adaptação que faz os olhos da sociedade brilharem em relação a internet. Mas não seria bom que as pessoas soubesse usar cada coisa para a finalidade certa?
Já estragaram o orkut, o facebook corre perigo, vamos ao menos salvar o Twitter.
Afinal, ele que parecia tão sem propósito, tornou-se com a ajuda da inteligência e criatividade de muitos, uma ferramenta útil para todos. São informações em forma dos mais diversos links compartilhadas instantaneamente à quem possa interessar. Quem sabe seguir as pessoas certas, entende do que eu estou falando. Vamos evitar que o Twitter se torne um novo Scrapbook, com o exclusivo fim de voyerizar a vida alheia. 
Infelizmente a inclusão digital não é sinônimo de cultura. Voltamos sempre aquela premissa de a ignorância é uma escolha própria e não é culpa de ninguém. Com condições economicas ou não, cabe a cada um correr atrás de conhecimento, sabendo utilizar para boas finalidades as ferramentas oferecidas. 

Para finalizar, uma dica as meninas descoladas que acham que o twitter é o novo orkut: amigas, não é! Aproveitem esses diversos canais de comunicação para se aprimorar, lembrem-se que a inteligência é a única coisa que não envelhece e nem fica enrugada.

Seja legal, seja inteligente.

17.3.10

pelo respeito aos nossos olhos.

Nos últimos tempos tenho passado boa parte do meu tempo no Centro de Caxias, sendo assim, algumas percepções que antes eram somente impressões tornaram-se hoje uma certeza de incomodo.
Para os que não sabem, trago a tona que sou publicitária de formação, mas ao contrário do senso comum não sou grande fã de aglomerados de comunicação nas ruas; e surpreendan-se, sou até a favor da Lei Cidade Limpa que foi aplicada em São Paulo. 
Sendo assim, se tem algo que me aborrece profundamente ao andar pelo centro da nossa cidade é me deparar com luminosos gigantes nas fachadas de lojas que ocupam prédios antigos da nossa cidade. Já falei aqui e repito que a arquitetura é uma forma de arte permanente e vísivel a todos. Quantas vezes escuto muitos comentarem "Ah, como Buenos Aires é bonita, toda aquela arquitetura conservada", o mesmo se repete quanto a Paris e outras diversas cidades europeias. 
Certo que Caxias possui um número muito menor de prédios antigos devido a sua pouca idade de existência, mas percebe-se muito menos a existência deles, pois a maioria está escondido atrás de placas enormes, feias e sem necessidade.
(O super Cesa tinha conseguido manter o bom senso, 
mas o IMEC destruiu)

Me pergunto: quem faz isso? Quais os princípios utilizados para justificar a necessidade de ter o nome da tua loja ou qualquer outro segmento comercial estampado em toda a área da tua fachada? Qual teórico de marketing ou comunicação pode ser usado na defesa?
A resposta: NENHUM.
Quem faz essas agressões a paisagem urbana da cidade não deve ter (além de escrúpulos) qualquer conhecimento sobre comunicação visual, branding, arte ou arquitetura. São daqueles tipos de roedores  que acreditam que "botar o logo lá, bem grande" é solução pra alguma coisa. Mas a culpa, dique bem claro, não se encontra só nos profissionais da comunicação, mas em toda a cadeia produtiva envolvida. Esta nos donos desses estabelecimentos, que sem cultura sobre mercadologia e sem bom gosto nato querem aparecer a qualquer custo. Esta na prefeitura que não impõe regras e nem incentivos, para que a arquitetura antiga seja REALMENTE preservada (e posteriormente utilizada como chamarisco para turistas, caso o bem estar da população não seja motivo tão interessante). E esta em nós população e consumidores que ignoramos esse fato, mesmo que os olhos não se sintam a vontade, e continuamos calados e comprando nesses estabelecimentos.
(a fachada linda e reformada se esconde atrás de um letreiro gigante. 
Eu não iria num dentista como esse mau gosto.)

A comunicação e arquitetura devem, adivinhem, se comunicar. 
Uma bela fachada agrega valor a sua marca. E mais, senhor lojista, não é necessário uma placa ENORME para que saibam da tua existência. Na maioria das vezes isso é disperdicio, afinal o pedestre não olha pra cima.
Então, por favor, vamos trabalhar o bom senso e a estética, e lembrar que uma cidade bonita ajuda no bem estar de todos nós.
(ps. você não vai faturar menos por ter uma placa menor, ao contrário, todos prezam pelo bom gosto. Pode apostar.)